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Por nossa própria falta de hábito em relação a esse meio de transporte e também à escassa oferta de trens de passageiros, pensar em fazer um passeio ou uma viagem de trem no Brasil nem nos passa pela cabeça atualmente, ou nos remete ao chacoalhar dos vagões, ao barulho repetitivo que acompanha a viagem, sem contar a duração do passeio que se estende, e você, prudente, recusa-se a experimentar, é melhor pegar o carro e seguir até seu destino.
Mas será que sua reação seria a mesma se soubesse que os trens turísticos que deslizam pelos trilhos atualmente no país passam por regiões deslumbrantes, com florestas coloridas e rios formidáveis? Proporcionando uma vista, que só quem vai de trem assiste. Nesse caso, até mesmo uma longa viagem de trem não seria uma má idéia, não é? Em tempos de modernidade excessiva em tudo, um passeio de trem se transforma em uma opção mais charmosa do que qualquer outra coisa.
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Apesar de ainda ser pouco utilizado no Brasil em relação a seu potencial, o trem é uma das opções de transporte mais utilizadas no Mundo. Com o surgimento de Organizações não Governamentais - ONGs e Associações, e com a comemoração dos 150 da ferrovia no Brasil, estão nascendo projetos cada vez maiores para, não só recuperarem trechos inativos, como também implantar Trens Turísticos onde há condições.
Só para se ter uma idéia de sua importância, o advento do Trem de passageiros pode ser considerado um dos marcos fundamentais para o que o turismo é hoje, já que a concepção de se transportar grande número de viajantes para um mesmo destino, de uma só vez, se iniciou com eles. Fazer um passeio de trem é realmente visitar o que no passado se chamava "viagens organizadas" e que deu origem ao que é hoje a atividade turística.
Visando aumentar a representatividade do setor e a oferta de passeios com trens turísticos, nasceu a ABOTTC - Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais. Iniciativas como esta confirmam a importância desse meio que atravessou fronteiras e fez história.
TREM TURISTICO – UBERLÂNDIA-MG
O Município de Uberlândia aplicará, ainda este ano, cerca de R$ 600 mil na adequação da estação ferroviária e na revitalização dos trilhos que compõem a malha ferroviária na entrada da cidade. Parte dos recursos deste projeto é proveniente do Ministério do Turismo, sendo que a contrapartida da Prefeitura é de R$ 121.875,00. Os trabalhos serão realizados conforme acordo firmado com a Ferrovia Centro-Atlântica, concessionária do transporte ferroviário na região.
“A realização dos investimentos na estação e em seu entorno é necessária para a viabilização do projeto ‘Trem Turístico’, que será tracionado por uma antiga locomotiva movida a vapor, chamada Maria Fumaça, para proporcionar aos turistas a agradável sensação lúdica de uma viagem de trem, que percorrerá o trecho entre as cidades de Uberlândia e Araguari”, explicou o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo, Dílson Dalpiaz Dias.
A Estação Ferroviária de Uberlândia, localizada na Praça Werbert Júnior Fonseca, no bairro Custódio Pereira, receberá um posto receptivo para integrar o projeto “Trem Turístico” e oferecerá aos turistas que aportam na cidade uma recepção de excelência. Além disso, será realizada identificação visual e sinalização interna da estação, além da revitalização e arborização da praça.
O primeiro trecho a ser percorrido pelo "Trem Turístico" será o que liga Araguari a Uberlândia, pela Ferrovia Centro-Atlântica. Durante a viagem, os passageiros poderão apreciar diversas belezas naturais da região, em sua extensa área verde, e o lago da hidrelétrica Capim Branco II, que poderá ser visto de vários ângulos, por cerca de 10 quilômetros. A viagem de trem, além de ser segura, vai proporcionar aos passageiros um resgate histórico e sentimental.
A Ferrovia Centro-Atlântica é a sucessora da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, ligando o estado de São Paulo (Campinas) ao de Goiás (Anápolis), passando por Uberlândia e Araguari. Até 1970, o transporte de passageiros acontecia em volume significativo. Hoje, a ferrovia só opera com transporte de cargas.
TREM-BALA À VISTA!
O BNDES divulgará, nos próximos dias, os estudos técnicos sobre o traçado preliminar do primeiro Trem de Alta Velocidade (TAV) no Brasil. Incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), sua conclusão poderá ocorrer até a Copa do Mundo de Futebol, em 2014.

Além dos benefícios econômicos que trará, o TAV resgatará do imaginário a antiga maria-fumaça e, paradoxalmente, nos remete a uma perspectiva de futuro e desenvolvimento tecnológico.
Poderemos experimentar algo como uma sinfonia que pontuará o trajeto entre a cidade do Rio de Janeiro, do genial Villa-Lobos e seu “O trenzinho do caipira”, e a Campinas do grande Carlos Gomes, o Nhô Tonico, autor do “O guarani”, tendo a capital paulista como uma das suas principais paradas.
O “novo-velho” meio de transporte, nos seus vindouros 550 quilômetros, precisará de um investimento de 17 bilhões de reais, a viagem entre as capitais poderá ser feita em uma hora e dez minutos e terá a capacidade de transportar 17 milhões de passageiros ao ano. Mas tudo isso não bastará se não for garantida a qualidade do serviço ao usuário. Isso significa eficiência, rapidez, conforto e segurança.
Há um segundo ponto importantíssimo: devemos obter a transferência de tecnologia, considerando-se que a execução da obra será aberta, também, a empresas estrangeiras. E o interesse internacional tem sido marcante por parte de empreendedores de Japão, Alemanha, França, Itália, Coréia, entre outros, como foi demonstrado em recente audiência pública ocorrida na Câmara dos Deputados.
A concretização do TAV poderá, ainda, abrir caminho para a construção da ligação férrea entre Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba, com 1.150 quilômetros de extensão, embora não haja definição sobre se será um equipamento de alta velocidade. Com este estímulo e a implementação de linhas para o transporte de carga, previstas no Plano Nacional de Viação (PNV), estaremos criando uma verdadeira e produtiva indústria brasileira do trilho.
Exemplos de eficiência nessa modalidade de transporte não faltam para nos inspirar. Na Europa, há 4.000 quilômetros de ferrovias de alta velocidade, com perspectiva de chegar a 9.000 até o ano 2020. No Japão, está o Shinkansen, inaugurado em 1964 por ocasião dos Jogos Olímpicos de Tóquio, que conta com 2.000 quilômetros de extensão, transporta 340,4 milhões de passageiros por ano e gera US$ 18,6 bilhões de receita.
Se o TAV ainda é estranho para nós, fica ainda mais evidente que temos de buscar a atualização de nossa malha quando nos deparamos com a realidade do modal ferroviário que opera com trens levitando sobre trilhos magnéticos — os maglevs. Em Xangai, na China, este equipamento opera comercialmente em um trecho que permite viagens acima de 400 quilômetros por hora.
Todas as alternativas que garantam nossa mobilidade e a circulação da riqueza que produzimos devem ser consideradas. Com a operação do TAV, que inova e, por isto, desafia, ganharão os usuários do transporte público de passageiros e o país.
Bonito, confortável, seguro e o menos poluidor dos meios de transportes.
Qual a sua opinião sobre a implantação do projeto de Uberlândia?
Qual o impacto no turismo com a concretização do Trem de Alta Velocidade (TAV) no Brasil?
A malha ferroviária ajudaria nos impactos ambientais provocados pela poluição do transporte rodoviário?
E o que é melhor para o Brasil: os Trens de Alta Velocidade ou os Trens turísticos?
Com a situação de nossas estradas, esse modo de transporte traria mais qualidade de vida para população?